Outubro – Afinal quando chove?

Outubro – Afinal quando chove?

Olhar para o céu e vê-lo azul é o mesmo que olharmos para um modelo e vê-lo com tendência anticiclónica. Qualquer tipo de monotonia meteorológica é inimiga do meteorologista e, dependendo do gosto, poderá sê-lo para qualquer pessoa.

2020 também andou nisto…

Se recuarmos um ano atrás, 2020 também andou nesta vida e, na verdade, tem mais de semelhante até agora que alguma vez pudéssemos pensar, a começar na intensidade do fenómeno La Niña (ver tabela abaixo e comparar valores entre 2020-2021 e 2021-2022) e passando pelo padrão e até anomalias de temperaturas.

Olhemos à imagem seguinte, que reporta às temperaturas ao longo do mês.

Na imagem constatamos 3 períodos distintos:

  1. Entre 1 e 5 de temperaturas baixas para a época e que, ao analisarmos o resumo mensal do IPMA podemos verificar a associação das mesmas com a passagem de superfícies frontais de uma depressão centrada perto do Reino Unido;
  2. Entre 6 e 18, com anomalia positiva a muito positiva das temperaturas (sobretudo máximas, mas com mínimas baixas) e com uma espécie de verão outonal, vincadamente caracterizado pela persistência anticiclónica em todo o país;
  3. A partir de 19 e até quase ao final do mês, temperaturas baixas para a época, primeiro com a chegada da Depressão Barbara (19-20) e depois com a passagem de sucessivas frentes associadas a várias depressões no norte da Europa. Os últimos 2 dias do mês foram marcados por retoma anticiclónica.

Outubro de 2021, como se está a comportar?

Tal como o seu congénere do ano anterior, Outubro de 2021 começou com as temperaturas mais amenas ou mesmo baixas, devido à aproximação e passagem de algumas frentes associadas a um sistema depressionário na zona do Reino Unido.

Rapidamente evoluiu para um cenário de bloqueio anticiclónico que, este ano, ao contrário do ano anterior, está a deixar muita precipitação e instabilidade nos Açores, devido ao fluxo subtropical/tropical e assim deverá continuar até perto de dia 20 (pelo menos).

Então quando chove no Continente e Madeira e quando acalma a chuva nos Açores?

Na prática, a intensidade e persistência de fluxo tropical e subtropical nos Açores (imagem 1) é sinal de tempo muito estável no Continente e Madeira, com subida de geopotencial (zonas laranja e vermelho da segunda imagem) e instalação de bloqueio anticiclónico.

Se formos falar de chuva ou alguns aguaceiros e trovoadas, os mesmos poderão ocorrer perto do Quarto Crescente, mais a sul… mas tudo situações localizadas, de difícil previsão, muito localizadas e incertas.

Se falarmos de chuvas mais persistentes, olhemos de novo ao que se passou em 2020 quando a BARBARA desbloqueou um período muito chuvoso que culminou com a saída da situação de seca em todo o território continental, em finais de Dezembro.

Para tal, olhemos a 16 de Outubro de 2020!

Aquela mancha verde que acabou por conseguir acabar com o anticiclone foi a Depressão BARBARA (imagem 1 abaixo).

A última saída do modelo JMA, para dia 18 de Outubro de 2021 (imagem 2 abaixo), mostra um cenário com algumas semelhanças, ainda que com naturais diferenças que, tendo em conta a distância, podem obviamente nada querer dizer (nem a semelhança com a BARBARA nem o inverso).

Olhando aos ensembles do GFS, temos que para Ponta Delgada, há um aparente enfraquecimento da corrente subtropical a partir de dia 19, à qual corresponde o aumento da probabilidade de precipitação no Continente (na Madeira é menos expressivo).

PONTA DELGADA

VILA DE REI

FUNCHAL

Agora uma curiosidade!

Sabem que dia 20 de outubro é a Lua Cheia e precisamente o dia que inverte a influência das 7 luas a partir da Lua Nova de Setembro (marcadamente de bloqueio e bolsas de ar frio em altura)?

Repare no resumo lunar, onde se pode ver que em grande parte das transições lunares, o padrão de bloqueio e bolsas de ar frio em altura foi dominante, marcadamente com tempo quente para a época (como sempre adiantámos):

Na primeira Lua (7 de setembro), a Lua Nova Setembrina que sete luas domina, temos então o desprendimento de uma bolsa de ar frio em altura com aguaceiros e trovoadas;

Na segunda Lua, a dia 13 de setembro, temos novamente uma situação semelhante, algo que se repete perto de dia 21.

Dia 29 (4ª lua) temos bloqueio, no Verão de S. Miguel, mas com início de inversão do estado do tempo que viria a ser marcado por frentes entre as luas de 29 de setembro e 5 de outubro, pontualmente com uma ou outra trovoada.

A 6ª lua será dia 13 de outubro com o Quarto Crescente e, podendo pouca precipitação deixar, há novamente cenário de bolsa de ar frio em altura prevista.

Dia 20 é a última das sete fases lunares dominada pela Lua Nova de Setembro e, quem sabe, o final deste padrão de bloqueio tão forte, ainda que as previsões de médio e longo prazo não aparentem precipitações muito significativas.

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