Longo Prazo: Apenas Abril traz águas mil?

Longo Prazo: Apenas Abril traz águas mil?

O ano hidrológico (desde 1 de Outubro de 2021) tem sido marcado, regra geral, por precipitação abaixo do normal em praticamente todo o território continental.

O QUE RESTA DE JANEIRO?!

Janeiro, apesar da chuva pontual que tem caído, estará muito longe dos padrões considerados normais para este mês, sendo que o Anticiclone com elevada extensão em altitude tem secado praticamente todas as investidas dos sistemas ciclónicos.

Os ventos em altitude, constantemente apontando para norte, reforçam aquilo que se vai vendo na estratosfera, com um potente Vórtice Polar que pode abanar, mover-se, mas não cai após alguns aquecimentos da estratosfera.

Assim, os próximos dias serão novamente marcados por tempo maioritariamente seco, ainda que por volta do meio do mês, algumas bolsas de ar frio em altura, oriundas de leste/sudeste, tentem fragilizar a estrutura anticiclónica.

Pontualmente poderão até vir a desencadear alguns aguaceiros (por volta de 15-17 janeiro) mas ao que tudo indica, rapidamente o Anticiclone voltará ao seu lugar.

Janeiro deverá assim continuar mais seco que o normal, com as mínimas a baixarem significativamente a partir de 12, com formação de gelo ou geadas, ainda que as máximas continuem maioritariamente amenas para a época (os nevoeiros podem ser persistentes no interior norte e centro-norte).

A imagem 1 abaixo mostra que Janeiro deverá ser um mês extremamente seco face ao normal em todo o território continental (também nas ilhas, sendo que a Madeira poderá vir a ter uma situação de maior precipitação perto do final do mês).

A imagem 2 mostra que se aproxima um período mais fresco que o normal em Janeiro (essencialmente entre 13 e 24), mas que será sobretudo sentido nas temperaturas médias e mínimas (também nas máximas onde os nevoeiros persistirem mais).

FEVEREIRO – A CHUVA VIRA-SE PARA A MADEIRA?

É o que o ECMWF aponta para já, com anomalia positiva de precipitação sobretudo na Madeira, potenciado por uma zona mais frágil entre os Açores e a Península Ibérica, onde se poderão instalar algumas depressões isoladas (entre Madeira e Canárias) e que podem vir a trazer situações de precipitação intensa à região!

Esta situação, por norma, traz tempo mais quente e seco que o normal a território continental, mas também aos Açores.

Pese embora esta situação, dos 3 primeiros meses do ano, Fevereiro surge na análise mensal do ECMWF, como o mês em que poderá ainda assim cair alguma precipitação (ainda que menos que o normal) em território continental.

Diria nesta fase que tal, a ocorrer, poderia ser oriundo de alguma depressão isolada a sudoeste que traria até à costa litoral, região sul e interior, essencialmente alguns aguaceiros e trovoadas, com maior anomalia de precipitação na região norte e centro metade litoral, face ao bloqueio atlântico.

Na primeira imagem abaixo (anomalia de precipitação) conseguimos ver mesmo essa zona onde se poderão instalar algumas depressões isoladas (Madeira e Canárias, a verde) e que pontualmente podem deixar algumas trovoadas nas zonas continentais acima referidas.

A segunda imagem mostra essencialmente a tendência para um mês de fevereiro com temperaturas acima do normal para a época do ano (podem ser mais “normais” no litoral centro e sul).

MARÇO – MAIS UM MÊS TREMENDAMENTE SECO!

Uma imagem (neste caso duas) vale mais que mil palavras e o leitor certamente compreende que, sendo o vermelho uma situação de maior pressão e geopotencial, a tendência é claramente de tempo mais seco e quente que o normal em todo o território.

Quando olhamos ao mapa de anomalia de precipitação global, vemos tons castanho em todo o país e, quando fazemos o zoom ao território continental, o cenário é, mais uma vez, dantesco!

Continua o bloqueio atlântico, pouca precipitação face ao normal em todo o território e essencialmente, como é normal, no norte e centro-norte metade litoral.

A ocorrer alguma precipitação terá mais origem convectiva (trovoadas) que em sistemas frontais.

O que acontece, para pouco chover por cá, é precisamente a continuidade de ventos em altura intensos em direção a latitudes muito elevadas, o que faz intensificar o anticiclone nas latitudes mais baixas.

ABRIL – ÁGUAS MIL?!?

Finalmente um mês com tendência diferente! É verdade, o ECMWF aponta no sentido da deslocação das altas pressões e geopotenciais para latitudes mais elevadas, ou seja, a instalação de uma padrão anticiclónico na Gronelândia/Islândia, favorecendo a redução de pressão e a descida de depressões para as nossas latitudes.

Abril poderá mesmo vir a ser o melhor mês em termos de chuvas e, com menos sinal de tempo quente que os restantes.

Na imagem abaixo, a anomalia a verde de precipitação nas latitudes mais baixas aponta precisamente o que falámos, com a migração do anticiclone para norte e a implantação de uma circulação zonal, podendo trazer mais chuva aos Açores, Madeira e Portugal Continental.

Abril vai salvar? Dificilmente irá… 1 mês nunca fará o papel de vários…

Esta é apenas a análise da MeteoMira ao output do modelo ECMWF longo prazo (de 5 de janeiro de 2022) e que deve ser considerada como possível tendência, sendo passível de reanálise mensalmente.

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