Poeiras do Norte de África – Como e porquê?

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São incómodas, deixam o céu com tons esquisitos, os nossos carros e superfícies totalmente imundo(a)s.

Mas porque será que se formam e porque tem sido recorrente este ano, com esta intensidade?

Onde começam?

Por incrível que pareça, a evolução das poeiras para perto de nós começa quando a chuva se acerca do sul do território continental, com a formação de bolsas de ar frio em altura a sudoeste do território continental.

As bolsas de ar frio em altura são pequenas depressões que, oriundas de depressões de maior dimensão, foram desgastadas pelo anticiclone e se isolam por entre as altas pressões (como esta a azul no meio dos tons amarelos). Estas bolsas de ar frio em altura são depressões em altitude que, por vezes, conseguem ser mesmo depressões à superfície, com algum cavamento.

Esta posição, a sudoeste do território continental favorece uma das zonas mais “depenadas” de precipitação ao longo dos últimos anos, o sul do Tejo, mas a posição destas depressões acaba por trazer, como consequência, algo desagradável… as famosas poeiras!

Porque e quando acontecem?

Normalmente começamos a ver o céu em tons amareladas no sul de Espanha… isso não é descabido, pois quando a depressão está a sul de Portugal Continental, é para lá que as poeiras são enviadas, porque convém não nos esquecermos que as depressões rodam no sentido contrário ao do ponteiro dos relógios e, como tal, neste caso, de sul para norte, levantando as poeiras e transportando-as pelo vento para norte em direção à Península Ibérica.

Veja-se a evolução da nossa depressão a amarelo e a seta a indicar a rotação dos ventos da mesma e, por consequência, a evolução das poeiras nas próximas imagens.

A depressão, quando se desloca para leste, começa a enviar as poeiras para Portugal Continental, com entrada geralmente pelo interior ou norte.

O afastamento da depressão faz aumentar a circulação leste e nordeste em Portugal Continental, mais uma vez, porque as depressões rodam no sentido contrário ao ponteiro dos relógios e os ventos são igualmente nesse sentido. Chegam depois a todo o território!

Mas a tendência é que as poeiras se afastem em direção ao mar, contrariamente ao deslocamento das depressões (a amarelo), cada vez mais para leste.

Mas porque este ano estão tão frequentes e intensas?

Não, não é porque um conjunto de tratores em Marrocos está a enviar poeiras para a Europa em retaliação por algo que lhes tenhamos feito, ou porque estejam chateados com a Península Ibérica.

Está tudo interligado com a circulação atmosférica, que está a empurrar estas depressões sistematicamente para o sul de Portugal continental, fruto de um jet (vento em altitude) a oeste muito intenso e, depois as mesmas circulam ao longo do norte de África.

Como as depressões têm gerado cavamento significativo à superfície na costa de Portugal Continental (não são meras depressões em altitude), a sua circulação e intensidade de ventos é igualmente mais significativa nos vários níveis da atmosfera, pelo que a capacidade de levantar e transportar maiores quantidades de poeiras é maior que o habitual.

Realça-se que, por norma, nesta altura do ano é típico estas depressões aparecerem a sudoeste de Portugal Continental mas deslocando-se para nordeste (check a verde na imagem seguinte) e não para leste/sudeste como tem acontecido (a cruz a vermelho), pelo que estamos a ser sistematicamente “fustigados” com estas poeiras… que são igualmente um excelente fertilizante, apesar de provocarem danos muito significativos a quem sofre de problemas respiratórios/alérgicos.

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