Junho é o 6º de 12 meses que temos de prever ao longo de 2026 e representa o início do verão meteorológico.
Como sempre e apesar da excelente previsão em maio, uma mensal tem um elevado risco associado e deverá ser sempre atualizada com as de menor duração, pelo que devemos ter sempre a noção de que o que aqui apresentamos são tendências e não algo muito concreto.
De uma forma geral, espera-se um mês que deve começar até com um refresco face aos últimos 13 dias de maio, mas que retomará depois de 8 o tempo quente, mas com a instabilidade a poderem vincar a 2ª metade do mês, com o eventual posicionamento de uma bolsa de ar frio em altitude a sudoeste da Península Ibérica, injetando ar quente e poeiras na Península, mas também trovoadas que podem ser localmente fortes e com granizo/saraiva… e daí o nosso provérbio.
Não se perspetiva, de uma forma geral, muita chuva mas, na primeira semana poderemos ter algumas frentes de fraca a moderada atividade a norte e centro sobretudo e depois é a “lotaria” das trovoadas a partir da Lua Nova (15). Também sem grande chuva nos Açores, poderá ser muito mais instável na Madeira na 2ª quinzena do mês.
Mas de seguida vamos abordar as duas quinzenas de junho com mais detalhe.
O que são os normais climáticos para junho em Portugal?
Para começarmos a falar em normais climatológicos, temos de pensar que em junho as temperaturas sobem em média 3 a 5ºC face a maio, representando o primeiro mês de verão em Portugal.
Pelas ilhas, as temperaturas sobem 2 a 3ºC face a maio.
A precipitação média varia entre os 6 e os 30 litros por m2 a sul do Tejo, os 30 a 60 litros por m2 a norte do Tejo, como sempre com maior relevância nas regiões montanhosas e Minho. Em média chove 9 a 10 vezes mais em Braga que em Faro, por exemplo.
No Funchal e Porto Santo, a precipitação média ronda os 7 litros por m2 e nos Açores varia entre os 40 a 85 litros por m2, com maior preponderância, como habitualmente, a Ocidente.
PREVISÃO DA 1ª QUINZENA DE JUNHO
A circulação atlântica retoma na primeira semana de junho e com isso teremos uma descida significativa das temperaturas mas também alguma precipitação sobretudo a norte e centro nalguns dias, devido à passagem de frentes de fraca a moderada atividade, sem grande afetação a sul. Assim, até dia 7 poderá também nalguns dias, registar-se precipitação dessas frentes nos Açores, com tempo seco na Madeira, mas também com as temperaturas a descer nas ilhas.
A partir de 8 (Quarto Minguante), o anticiclone deverá erguer-se e fazer subir as temperaturas, invertendo os ventos para leste e aumentando as temperaturas gradualmente nos dias seguintes. O verão parece retomar o seu lugar… mas ainda falta a segunda quinzena! Na imagem seguinte, podemos ver que chuva será um bem escasso, à exceção do noroeste e metade ocidental dos Açores (ainda assim sem grande expressão nesta primeira quinzena).
Precipitação Média Acumulada até dia 14 junho 2026 – Média do ECMWF
Em termos de temperaturas, esta primeira quinzena promete começar mais amena e até pontualmente fresca face aos dias anteriores, mas a partir de dia 8 deve disparar em termos de temperaturas.
Temperaturas para segunda semana da primeira quinzena bem acima do normal
PREVISÃO DA 2ª QUINZENA DE JUNHO
Tudo muito bonito mas… a primavera ainda terá uma palavra a dizer nesta segunda quinzena. Tempo quente deve ser a nota dominante e até com a injeção de poeiras na Península Ibérica mas a deslocação retrógrada de uma bolsa de ar frio em altitude para sudoeste da Península a partir da Lua Nova (15) marcará o estado do tempo possivelmente até perto do S. Pedro… até porque disto a vinha tem medo… disto falamos de aguaceiros e trovoadas localizadas com possibilidade de queda de granizo/saraiva.
Chamamos a atenção também para um período de bastante precipitação previsto para a Madeira que poderá ser das zonas com maior precipitação em Portugal este mês, sobretudo devido a este evento pós Lua Nova (15). Nos Açores, o Quarto Crescente (21) pode começar a empurrar também alguma chuva para o Arquipélago, com descida das temperaturas.
Situação típica de bolsa de ar frio em altitude a sudoeste, com anomalia positiva de chuva na Madeira e sul de Portugal Continental na última semana de junho – Possíveis trovoadas!
Em termos de temperaturas, vemos que mantemos tempo quente, com algumas incursões de ar frio em altitude a fazer oscilar rapidamente as temperaturas.
Anomalias de temperatura na 2ª quinzena – Semana 22 a 29 junho
Na prática, o provérbio mensal escolhido “Até ao S. Pedro, tem a vinha medo” reflete precisamente esta situação que poderá reinar algures na 2ª quinzena do mês com instabilidade de origem convectiva, com tempo quente e trovoadas localizadas. É claro que em muitos locais pouco ou nada vai chover, mas localmente em poucas horas pode cair mais que o normal para todo o mês ou até termos algumas situações localizadas mais complexas.
As contas fazem-se no final mas…
Em termos gerais, junho deverá ser quente (apesar de começar fresco) e mais seco que o normal, mas chamamos a atenção que onde cairem trovoadas fortes, em pouco tempo pode tornar-se chuvoso… de forma localizada. Chuva sim, mais na Madeira, para a 2ª quinzena.
Menos chuva nos Açores que na Madeira face ao normal, em perspetiva.
Desejamos que tenha um excelente junho, reforçando que a incerteza associada a uma previsão de médio-longo prazo existe e deverá sempre ser acompanhada conjuntamente com as de curto prazo.