Março é o 3º de 12 meses que temos de prever ao longo de 2026. Antes demais gostaríamos de enviar um forte abraço a todos os que sofreram com as inúmeras depressões que nos afetaram direta ou indiretamente desde novembro.
2025/2026 tem sido um dos anos hidrológicos mais chuvosos e tempestuosos desde há largas décadas e em termos de precipitação apenas tem algum paralelo com 2000/2001. Como sempre uma mensal tem um elevado risco associado e deverá ser sempre atualizada com as de menor duração, pelo que devemos ter sempre a noção de que o que aqui apresentamos são tendências e não algo muito concreto.
De uma forma geral, espera-se um mês que, face ao que é normal, poderá apresentar-se como perto do normal em termos de precipitação (não se descartando um pouco acima do normal nalguns locais), mas nada como os seus antecessores de novembro a fevereiro. Importa salientar que o ano passado, março foi tremendamente chuvoso e a perspetiva não é igual para 2026.
Mas voltemos a 2000/2001, um ano hidrológico com forte paralelo a 2025/2026, nesse ano de 2001, o mês de março foi terrivelmente chuvoso, situação que não acreditamos se venha a verificar agora, podendo manter-se no final de março 2000/2001 como o ano hidrológico mais chuvoso.
Mas oscilações ao longo do mês devem marcar o estado do tempo… é verdade, março arranjou forma de não chatear ninguém em termos de monotonia meteorológica, com dias de chuva e fresco (com neve nos pontos médios-altos), seguidos de dias secos e com tempo mais quente e vice-versa, podendo este tipo de oscilação ser sentido igualmente pelas ilhas.
E está escolhido o provérbio de março que logo fará parte da mensal.
Ou seja, um mês em que o dia e a noite começam a ter a mesma duração (o equinócio da Primavera), um mês em que o Manel e a Maria podem passear nalguns dias (pelo sol ou melhores temperaturas) e noutros ficar no conforto do lar (pela chuva ou pelo fresco), mas também um mês em que a humidade vinda de fevereiro e que março alimenta de forma natural permite criar no mato algo para acompanhar o pão e na prática um mês que terá períodos instáveis e períodos estáveis, sendo muito mais normal que os seus antecessores… à partida.
Mas de seguida vamos abordar as duas quinzenas de março com mais detalhe.
O que são os normais climáticos para março em Portugal?
Março marçagão, manhãs de inverno tardes de verão dá sentido à subida média das temperaturas face a fevereiro, especialmente as máximas.
Para começarmos a falar em normais climatológicos, temos de pensar que em março as temperaturas máximas já sobem em média 2 a 4ºC e as mínimas 1 a 2ºC face a fevereiro, representando o primeiro mês de recuperação de temperaturas e ainda mais notório, das horas de sol (noites menores), com o equinócio (igual duração de dia e noite) de Primavera – dia 20 de Março, conhecido dia do começo da Primavera de calendário.
Pelas ilhas, as temperaturas sobem, mas apenas algumas décimas, não se verificando ainda o “boom” que ocorre pelo território continental.
Em termos de precipitação, temos por norma uma redução de precipitação na ordem dos 25 a 40% face a fevereiro, sendo março um mês muito particular nesse aspeto, dado que em abril a precipitação recupera em quantidade!
A precipitação média varia entre os 45 e os 80 litros por m2 a sul do sistema Montejunto-Estrela e no nordeste transmontano, entre 75 a 150 litros por m2 a norte de Leiria (inclusive) e a oeste da Estrela, sendo igualmente superior na zona da Guarda. A maior precipitação ocorre, como é normal no Minho (e ainda mais elevada na barreira de condensação – zona montanhosa) e é menor no Alentejo e Algarve. Em média chove 4 vezes mais em Braga que em Faro, por exemplo.
No Funchal, a precipitação média ronda os 60 litros por m2 (35mm em Porto Santo) e nos Açores varia entre os 100 a 165 litros por m2, com maior preponderância, como habitualmente, a Ocidente.
PREVISÃO DA 1ª QUINZENA DE MARÇO
Dia 1 será um dia estável, mas a partir de 2ª feira, dia 2 e até dia 6, teremos o mergulho de bolsas de ar frio em altitude, que se posicionam a sul da Península Ibérica e serão responsáveis por aguaceiros e trovoadas que podem ser mais significativos na metade litoral ao início (dia 2) e depois na zona sul e interior centro 3 e 4, antes de nova bolsa a 5, desta vez mais para norte e interior e com neve a cotas médias-altas.
Isto em Portugal Continental e a instabilidade será também nota pelas ilhas, com frentes nos Açores e aguaceiros e mesmo neve nos pontos altos da Madeira.
Depois, a 7, teremos a subida gradual da dorsal anticiclónica entre a Madeira e Portugal Continental, podendo subir consideravelmente as temperaturas e secar igualmente o tempo, até dia 12/13.
No entanto, tempo estável em PT Continental e Madeira é sinal de instabilidade mais relevante nos Açores muitas vezes e aguaceiros e trovoadas podem aproximar-se do Arquipélago neste período, bem como uma depressão se poderá desprender um pouco da circulação norte a 10/11, afetando os Açores e depois a Madeira.
E quer-nos parecer que esta situação irá forçar a subida do Anticiclone para a Escandinávia a partir de 12/13, fazendo com a Europa comece a sentir o fresquinho e algumas retrógradas possam desprender-se em direção a oeste, para interagir com a depressão nas ilhas e puxá-la para perto da Península Ibérica a 13/14. No entanto, até dia 13, pelo menos, não se espera nada de parecido com janeiro ou fevereiro em termos de chuvas, como se pode ver no acumulado (maior a ocidente nos Açores).
Precipitação pelo ensemble ECMWF até dia 13 de março
PREVISÃO DA 2ª QUINZENA DE MARÇO
A situação acima descrita abre caminho para um período novamente instável a partir de 13/14 e até 19 em todo o território, com maior afetação a norte e centro e Açores desta vez, mas podendo também chegar a sul e Madeira.
Gradualmente, a aproximação aos 20 dias de março irá provocar nova subida da dorsal anticiclónica entre a Madeira e Portugal Continental, entre 20 e 25, com tempo mais seco e quente. Nos Açores, mais instabilidade a ocidente, até que depois de 25 deve secar com a subida do anticiclone no Arquipélago, abrindo caminho a um fluxo frio em direção à Europa Ocidental e, a um final de mês novamente (possivelmente) instável.
As contas fazem-se no final mas…
Março apresenta uma grande bipolaridade, entre períodos chuvosos e instáveis, seguidos de períodos secos e quentes, voltando à instabilidade e ao tempo seco, numa situação que certamente será de maior equilíbrio que nos meses anteriores.
Em termos de precipitação, temos de perceber que março tem já médias muito baixas de chuva, pelo que em muitos sítios, 2 dias de chuva são o suficiente para se aproximar do normal, pelo que acreditamos que tenhamos um mês normal a ligeiramente acima do normal em precipitação (mas podendo também ficar abaixo). A imagem mostra precisamente o que dissémos anteriormente, ou seja, um mês mais normal que os antecessores… com chuva, mas que terá também bons períodos de sol… em que a nota dominante será “equilíbrio”.
Precipitação pelo ensemble ECMWF 46 dias até final de março
Desejamos que tenha um excelente março, reforçando que a incerteza associada a uma previsão de médio-longo prazo existe e deverá sempre ser acompanhada conjuntamente com as de curto prazo.