Maio é o 5º de 12 meses que temos de prever ao longo de 2026.
Como sempre uma mensal tem um elevado risco associado e deverá ser sempre atualizada com as de menor duração, pelo que devemos ter sempre a noção de que o que aqui apresentamos são tendências e não algo muito concreto.
De uma forma geral, espera-se um mês que poderá apresentar-se normal a seco a sul de Montejunto e normal a chuvoso acima de Montejunto.
Um mês que se espera com temperaturas acima do normal para a época mas com maior normalização (e até períodos mais frescos) entre 9 e 14 (mais coisa menos coisa), ou seja, na fase do Quarto Minguante. Depois deve subir gradualmente.
Mas a nossa análise aponta uma primeira quinzena mais húmida e uma segunda mais seca, ainda que na Fase do Quarto Crescente possamos ter alguma instabilidade associada a trovoadas por aquecimento, sempre mais propícias no interior norte e centro.
Pelas ilhas, um mês menos instável nos Açores de uma forma geral, ainda que possam aparecer algumas bolsas de ar frio em altitude a instabilizar pontualmente o tempo, especialmente dias 17/18.
Já pela Madeira, o período mais instável deverá ocorrer entre 5 e 12/13 de maio, sendo que a estabilidade será regra geral a norma durante o resto do mês. No final pode surgir novamente instabilidade.
Mas de seguida vamos abordar as duas quinzenas de maio com mais detalhe.
O que são os normais climáticos para maio em Portugal?
Para começarmos a falar em normais climatológicos, temos de pensar que em maio as temperaturas sobem em média 2 a 3ºC face a abril, representando uma grande recuperação ao nível de temperaturas, rumo ao verão meteorológico que entra no início de junho.
Pelas ilhas, as temperaturas sobem cerca de 1ºC face a abril.
A precipitação média varia entre os 20 e os 50 litros por m2 a sul do Tejo, à exceção do Alto Alentejo, onde localmente a precipitação supera os 60 litros por m2. A norte do Tejo, a maior parte das estações apresenta normais em torno dos 50 a 90 litros por m2, sendo a precipitação de origem convectiva (trovoadas) já dominante. Na região da barreira de condensação, envolvendo essencialmente os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto e Viseu, a precipitação varia entre 90 a 120 litros por m2. A maior precipitação ocorre, como é normal no Minho (e ainda mais elevada na barreira de condensação – zona montanhosa) e é menor no Alentejo e Algarve. Em média chove 5 a 6 vezes mais em Braga que em Faro, por exemplo.
No Funchal, a precipitação média ronda os 30 litros por m2 (15mm em Porto Santo) e nos Açores varia entre os 65 a 95 litros por m2, com maior preponderância, como habitualmente, a Ocidente.
PREVISÃO DA 1ª QUINZENA DE MAIO
Até dia 5 poderemos ter influência de frentes a norte e centro (pontualmente, muito mais fracas, a sul), isto apesar do mês até entrar mais seco dia 1. Uma ligeira pausa a 6, antes da descida de uma bolsa de ar frio e posicionamento de uma depressão a oeste/sudoeste da Península, afetando o tempo na Madeira e Portugal Continental.
Na Madeira a afetação será maior entre 5 e 12/13 e em Portugal Continental, a partir de 7 e até dia 13 de forma mais geral (Com trovoadas localizadas possivelmente), mantendo alguma influência cada vez mais residual apenas a noroeste, até dissipar posteriormente na 2ª quinzena.
Nos Açores, poderá situar-se uma depressão com alguma influência até perto de 5/6, altura em que começará a reduzir a intensidade e sobretudo dia 9, com o aumento da pressão/geopotencial na região até final da quinzena.
Precipitação Média Acumulada até dia 14 maio 2026 – ECMWF
Em termos de temperaturas, esta primeira quinzena promete ser, globalmente mais fresca/amena que a segunda quinzena.
Temperaturas em geral abaixo do normal para a época na primeira quinzena
PREVISÃO DA 2ª QUINZENA DE MAIO
O aumento da pressão no sudoeste europeu forçará a subida das massas de ar mais quente e seco até Portugal Continental de forma cada vez mais notória no início da 2ª quinzena. No entanto, não se afasta alguns períodos de nortada, tão típica de anticiclone muito a oeste.
Poderá alguma bolsa de ar frio em altitude romper a estrutura anticiclónica dos Açores na região e começar a instabilizar pontualmente o tempo no Arquipélago, enquanto até ao Quarto Crescente (23), pouco se passará em Portugal Continental (apesar de uma ou outra incursão de trovoadas localizadas de aquecimento possíveis).
Na Madeira poderemos ter algum vento norte/nordeste, a trazer mais nebulosidade às vertentes norte e a não deixar subir tanto as temperaturas.
Será mais notório para o pós 23 a possibilidade de depressões térmicas poderem surgir e deixar mais trovoadas de Primavera (ou de aquecimento), sempre mais a norte e centro na reta final do mês, com tempo quente.
Nesse pós 23 poderão também afetar a Madeira, sendo que os Açores podem ter alguma instabilidade pontual após 18.
Situação típica de bloqueio (pressões mais elevadas que o normal a rosa)
Em termos de temperaturas, vemos que a 2ª quinzena será mais quente, por norma, que a primeira em Portugal Continental, com tempo mais fresco que o normal nas ilhas.
Anomalias de temperatura na 2ª quinzena – Semana 18 a 25 maio
Na prática, o provérbio mensal escolhido “A Água. Maio a dá, maio a leva” refere exatamente esta situação, com uma primeira quinzena mais fresca e húmida (a dar água) e uma 2ª quinzena mais propícia à evaporação (tirar água), com tempo mais quente e seco (apesar das trovoadas de aquecimento possíveis nalguns dias e sobretudo na reta final).
As contas fazem-se no final mas…
Maio deverá ser ainda assim um mês perto ou ligeiramente acima do normal a norte de Montejunto e normal a mais seco que o normal a sul de Montejunto.
Menos chuva nos Açores que na Madeira face ao normal, em perspetiva.
A 2ª quinzena poderá trazer o mês para mais quente que o normal climatológico, sendo mais fresco nas ilhas.
Desejamos que tenha um excelente maio, reforçando que a incerteza associada a uma previsão de médio-longo prazo existe e deverá sempre ser acompanhada conjuntamente com as de curto prazo.