Como neva ao nível do mar?

Como neva ao nível do mar?

HUMIDADE

Em primeiro lugar, é preciso que haja humidade, é preciso que chova. Com o céu limpo nunca irá nevar! Muitas vezes sentimos frio e já ouvi dizerem-me “deve estar a nevar na Estrela!”
De facto, sem chuva não há hipótese de nevar!
Mas por outro lado, a humidade é um grande inimigo da neve, principalmente na possibilidade de descer a cotas mais baixas, sobretudo no litoral. E é por isso que normalmente com entradas polares marítimas não neva no litoral. O ar marítimo e a forte humidade “mata” a possibilidade de queda de neve com entradas vindas do Atlântico.

TEMPERATURA

Temperaturas baixas a cerca de 5500m de altura (500hPa). Estas temperaturas devem no mínimo ser de -30ºC, sendo o ideal abaixo desse valor. Na carta seguinte temos as temperaturas a essa altitude, assinaladas com -XXºC.


Temperaturas baixas a cerca de 1400/1500m de altura (o ideal será inferior a -3ºC, com preferência abaixo dos -4ºC). Na imagem seguinte temos essas temperaturas, representadas por -XXºC onde forem negativas e por XXºC onde forem positivas.


Temperaturas à superfície também próximas de zero. No entanto, até podem ser um pouco mais altas se existir frio em altura ou se a humidade for baixa.

JET STREAM

Como sempre, o Jet Stream (ou correntes de vento em altura) acaba por ser determinante quer na deslocação das massas de ar quer nas zonas onde poderá vir a chover, para depois nevar.

Um Jet de nordeste (vindo da zona da Escandinávia) traz ar muito frio em altura e é capaz de criar à superfície temperaturas muito baixas, com reduzida humidade.

No entanto, assim que as massas de ar frio colidem com ar mais húmido, desencadeia-se o processo de precipitação (assinalado a amarelo) que é mais favorável a cotas baixas (falo mesmo ao nível do mar).

No entanto, esta conjugação é muito rara no nosso país e quando acontece, acontece sobretudo no interior alentejano e mesmo algarvio. Na primeira década do século XXI aconteceu algumas vezes ao nível do mar mesmo em vários locais do litoral, como 2006, 2009 e 2010, por exemplo.


Um jet mais de noroeste (marítimo) é mais húmido, igualmente frio em altura mas não tanto como o continental (principalmente à superfície), dificultando a queda de neve em zonas próximas do litoral.

Por ser mais húmido provoca nevões mais significativos em cotas médias e altas.
Existem outros fatores, como o CAPE (índice de instabilidade) que pode provocar em caso de trovoadas a descida abrupta do ar frio à superfície, o CIN (contrário ao CAPE, é o índice que inibe a instabilidade), entre muitos outros. O intuito do artigo é ser de fácil perceção.

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