Chove cada vez menos, ou mais em menos tempo?

Chove cada vez menos, ou mais em menos tempo?

“ÁGUA É VIDA” – Premissa universal de que sem água o ser humano não consegue viver!

Nos últimos anos vamos sistematicamente ouvindo falar em seca, baixos níveis de água nos solos, aquíferos com níveis cada vez mais baixos, albufeiras com défice de armazenamento… é o pão nosso de cada dia.

Chega ao Verão e é cada vez mais vulgar vermos os camiões a abastecerem localidades no interior e em zonas onde a água vai cada vez mais escasseando.

Mas, será que na verdade chove cada vez menos todos os anos ou será que a chuva é semelhante mas em muito menos tempo?

Para tal, vamos utilizar os dados do site PORDATA para as 9 cidades das quais dispomos de dados praticamente desde 1960:

  • Viana do Castelo, Bragança, Porto, Castelo Branco, Lisboa, Beja, Faro, Funchal, Angra do Heroísmo.

Precipitação anual desde 1960 nas várias cidades

A tabela seguinte mostra em mm’s, os valores anuais para as 9 cidades desde a década de 60, sendo que em alguns anos aparece um “x” por não haver dados.

Imagem 1: Precipitação ao longo dos anos para as 9 cidades estudadas

Número de dias com chuva nas várias cidades

A tabela seguinte mostra o número de dias com chuva, por ano, para as 9 cidades desde a década de 60, sendo que em alguns anos aparece um espaço vazio por não existirem dados.

Imagem 2: Número de dias com registo de chuva para as 9 cidades estudadas

Precipitação média diária (mm) nos dias com chuva nas várias cidades

A tabela seguinte mostra a precipitação média diária em mm’s, apenas para os dias em que chove nas várias cidades, ano a ano, desde a década de 60 e até 2020.

Imagem 3: Precipitação média diária (mm) nos dias de chuva para as 9 cidades estudadas

Análise Estatística

Para as 9 cidades, vamos agora identificar em termos gráficos, a evolução linear média da precipitação, do número de dias em que chove e, cruzar esses dois dados num gráfico com a precipitação média diária em mm’s apenas dos dias em que chove (o último dos 3 gráficos).

Viana do Castelo

Cruzando a informação, verifica-se que no Minho, a precipitação anual tem vindo a diminuir ao longo das décadas, mas o número de dias com chuva tem aumentado, o que conduz a uma redução da precipitação média diária nos dias em que chove.

Bragança

Cruzando a informação, verifica-se que no interior norte, a precipitação anual tem estado estável ou com ligeira subida, mas o número de dias com chuva tem diminuído muito significativamente, o que conduz a um aumento bastante acentuado da precipitação média diária nos dias em que chove, o que reportará por certo à precipitação de origem convectiva típica da região.

Porto

Cruzando a informação, verifica-se que no Douro Litoral/litoral centro-norte, tanto a precipitação anual como os dias de chuva e a precipitação média nos dias em que chove é praticamente estável ao longo dos anos, com ligeira redução (muito pouco expressiva).

Castelo Branco

Cruzando a informação, verifica-se que no interior centro, existe uma redução significativa da quantidade de precipitação média ao longo dos anos mas uma subida no número de dias com chuva, o que representa cada vez menos precipitação nos dias que chove. Não deixa de ser curiosa a situação no interior centro e poderá estar de certa forma associada a fenómenos de origem convectiva mais frequentes, com diminuição da ação de frentes atlânticas (mais abrangentes e com mais duração de pluviosidade associada).

Lisboa

Cruzando a informação, verifica-se que na Área Metropolitana de Lisboa e litoral centro-sul, não existe uma variação significativa da quantidade de precipitação média ao longo dos anos, mas sim uma descida do número de dias com chuva. Esta situação conduz a que nos cada vez menos dias que chove, chova com maior intensidade e muitas vezes num curto espaço de tempo, o que está frequentemente associado a precipitação de origem convectiva.

Beja

Cruzando a informação, verifica-se que no Alentejo, existe uma significativa descida da quantidade de precipitação média ao longo dos anos, mas não refletida nos dias em que chove, sendo sim é cada vez menor a precipitação nos dias em que ela ocorre, ou seja, muito provavelmente, a intensificação do bloqueio anticiclónico a dissipar muito mais precipitação na região que anteriormente.

Faro

Cruzando a informação, verifica-se que no Algarve, a precipitação desce em média 1mm por ano, consubstanciado numa redução significativa dos dias com chuva na região. Ainda assim, existe um acréscimo na quantidade de precipitação nos cada vez menos dias em que chove. Tal deverá ocorrer pelo incremento da componente convectiva na região que provoca cheias significativas nos reduzidos dias de chuva.

Funchal

Cruzando a informação, verifica-se que no Funchal, a precipitação desce em média 2mm por ano, o que apesar do aumento do número de dias com chuva representa cada vez menos precipitação nos dias em que chove. Estamos naturalmente a falar de aguaceiros mais frequentes e menos frentes a passar na região. A queda tem sido mais evidente nos últimos 10 anos.

Angra do Heroísmo

Cruzando a informação, verifica-se que nos Açores, todos os dados apresentam diminuição, quer a quantidade de precipitação (mais de 3mm ao ano), quer o número de dias com chuva quer ainda a precipitação média diária nos dias em que chove. Poderá obviamente estar relacionado com a intensificação do anticiclone dos Açores ao longo dos anos.

Espero que o estudo seja importante para localmente se perceberem os efeitos dos tempos e se gostar do trabalho da MeteoMira e quiser ajudar, pode fazê-lo, sem limite mínimo através dos seguintes meios:

IBAN PT50 0018 000322504419020 11
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