Você confia no seu telemóvel ou website para uma previsão? Saiba porque muda tanto a previsão a mais de 3 dias!

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Hoje em dia são vários os sites e as aplicações que disponibilizam previsões meteorológicas para vários dias. Com um simples icon sabemos que já vai estar sol, chuva, aguaceiros, trovoada, neve, etc.

Mas como chegam esses sites a essas previsões?

Um site ou aplicação “inspira-se” na saída operacional de um dado modelo meteorológico (pode ser o Europeu, o Americano, o Britânico, o Japonês, o Alemão… etc.) e essa saída ocorre várias vezes ao longo do dia, dependendo do modelo (alguns 2 vezes, outros 4, outros 8, etc.).

Como a 5 dias de distância, os modelos perdem muita resolução, é frequente que num mesmo dia ocorram várias previsões distintas pelo mesmo modelo operacional. Isto reflete-se no vosso telemóvel ou site, em oscilações muito significativas das previsões.

Se para o dia seguinte ou para os dias 3 dias seguintes, a situação nem muda muito, por norma, quando nos afastamos no tempo a diferença chega a ser abismal!

E porquê?

Uma previsão nunca é feita com base num modelo operacional apenas, mas no conjunto de vários modelos operacionais distintos e dos seus ensembles que são o mais importante para averiguar a probabilidade de precipitação.

Se a tendência dos vários modelos na saída operacional (também designada principal) é semelhante, existe um padrão mais definido (uma tendência) que ainda assim rapidamente pode mudar, começando geralmente um ou outro por alterar e acabando os restantes por irem atrás.

E o Ensemble, o que é e para que serve?

Quando vamos de viagem, olhamos para o GPS e ele diz-nos que dentro de x horas ou y minutos estaremos no local desejado (olhemos para o operacional de um modelo como a previsão do nosso GPS), mas a menos que esteja ligado à rede de dados, não sabemos se há trânsito, onde é que esse trânsito se encontra, se existem acidentes, se o tempo está desfavorável a altas velocidades, etc.

Além de fatores externos, não sabemos se o carro terá algum problema mecânico ou elétrico que nos atrase a viagem.

O que o ensemble faz é, em termos meteorológicos muito semelhante. Pega no ponto de partida, com as inúmeras variáveis que dispomos ou que estimamos para os modelos poderem arrancar (os chamados dados de base) e vai alterando algumas variáveis iniciais e ao longo do tempo que, na maior parte dos casos, acaba por fazer com que a mais de 5 dias as previsões dos vários membros (variações de um único modelo) sejam completamente díspares e muito diferentes da sua saída operacional.

Daí, o que geralmente apresentamos quando falamos de ensembles de modelos serem gráficos com várias linhas (são tantas que geram muita confusão), como se pode ver na imagem abaixo (ensemble do modelo GFS para os próximos 12 dias, para Setúbal).

No fundo, o que o ensemble mostra é que, sempre que existem várias linhas para o mesmo dia em termos de precipitação, a probabilidade de chover é maior nesse dia (para ser 50% teria de um dia ter pelo menos 16 linhas de cores diferentes!)… e em termos de temperatura, neste caso a 850hPa (cerca de 1500m de altitude na nossa zona), quanto mais próximas as linhas umas das outras, maior a probabilidade da previsão estar correta.

Repare que a mais de 5 dias, o gráfico de cima mostra um desfasamento enorme entre linhas (variações do modelo) e, a mais de uma semana, a disparidade é brutal. Daí ser sempre muito conservador e importante olhar para a média das variações (as linhas a preto) para fazer uma previsão a mais de 7 dias (que já de si apresenta muita incerteza).

Numa saída do IPMA para um local, se reparar, além do icon do estado do tempo tem uma percentagem e que é a probabilidade de precipitação no local… ou seja, não é mais que o número de membros do ensemble neste caso do modelo Europeu (ECMWF) que apresenta possibilidade de chuva. Até podemos ter céu nublado na previsão do IPMA, mas se a probabilidade de precipitação for superior a 50%, é mais provável alguma chuva que nenhuma (e vice-versa). Para tal, veja a imagem seguinte, onde apresentamos a amarelo essa mesma probabilidade, neste caso, para Lisboa.

Conclusão

Se pretendemos uma previsão com maior fiabilidade (e sempre com erro associado) a mais de 5 dias, temos de ver os vários modelos operacionais, olhar aos ensembles frequentemente (porque estes também mudam muito ao longo do tempo) e essencialmente ir percebendo as oscilações das linhas a preto (as médias) e os desvios padrão dos vários parâmetros atmosféricos.

E devemos também perceber que estamos apenas a falar de 3 a 4 níveis da atmosfera (superfície, 850hPa, 500hPa e, eventualmente, 300hPa – Jet Stream ou correntes de vento em altura).

Corretamente deveríamos analisar o máximo possível de camadas da atmosfera com os designados perfis verticais (e que existem para os vários parâmetros), como se pode ver na imagem seguinte, para a variação da temperatura num local em altura.

Assim, temos de ser conservadores na análise ao nosso telemóvel e ao nosso site de referência, essencialmente a uma distância superior a 4/5 dias e não tomar por garantido algo que não o é!

Sempre que possível, é importante olharmos às percentagens (probabilidades de precipitação) que alguns desses sites apresentam e que têm precisamente em conta as variações do modelo de previsão (o ensemble).

Espero que seja um artigo explícito e que o ajude a compreender o funcionamento das APP’s e sites de meteorologia.

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