Julho é o 7º de 12 meses que temos de prever ao longo de 2026 e representa por norma um dos meses mais quentes do ano, escolha de período de merecidas férias para muitos portugueses.
Como sempre e apesar das excelentes previsões dos últimos largos meses, uma mensal tem um elevado risco associado e deverá ser sempre atualizada com as de menor duração, pelo que devemos ter sempre a noção de que o que aqui apresentamos são tendências e não algo muito concreto.
De uma forma geral, espera-se um mês que deve começar extremamente quente e seco mas que poderá ter uma mudança significativa por volta da Lua Nova (14), com maior instabilidade e até refresco face à primeira metade (mas ainda assim com anomalia positiva de temperatura, o que fará deste julho um mês bastante quente). No entanto, a aproximação ao Quarto Minguante (a partir do fim de semana 4-5 julho) iniciará o processo de trovoadas localizadas no interior muito possivelmente, no início da transição que se perpetiva para a Lua Nova.
Mas instabilidade em julho é geralmente pouco significativa. Uma ou outra frente fraca, alguns aguaceiros e trovoadas, principalmente no interior… se calhar o suficiente para ter mais chuva que o normal em vários locais, mas… mais que muito pouco, é na prática muito pouco… daí o provérbio escolhido.
Mas de seguida vamos abordar as duas quinzenas de julho com mais detalhe.
O que são os normais climáticos para julho em Portugal?
Para começarmos a falar em normais climatológicos, temos de pensar que em julho as temperaturas sobem em média 2 a 4ºC face a junho, o que representa mais 5 a 8ºC em média que em maio.
Pelas ilhas, as temperaturas sobem 1 a 3ºC face a junho, o que representa 3 a 6ºC a mais que maio, em média.
A precipitação é perfeitamente residual abaixo do Tejo (entre 2 a 9 litros por m2) e de cerca de 10 a 30 litros por m2 nos restantes locais, com maior preponderância da precipitaçã no Minho e Douro Litoral, bem como zonas serranas. Em média chove 15 vezes mais em Braga que em Faro, em julho.
No Funchal e Porto Santo, a precipitação média ronda apenas os 3 litros por m2 e nos Açores varia entre os 25 a 65 litros por m2, com maior preponderância, como habitualmente, a Ocidente.
PREVISÃO DA 1ª QUINZENA DE JULHO
Início verdadeiramente de torrar em Portugal Continental e, possivelmente, com a forte anomalia de temperatura a evoluir até perto da Lua Nova (13/14 de julho). No entanto, chamamos a atenção que os elevados geopotenciais que se vão verificar na primeira semana e responsáveis pelas temperaturas muito elevadas, poderão ter um efeito de produção de trovoadas localmente fortes a partir do fim de semana (4-5), sobretudo na região interior. No entanto, as trovoadas podem ser igualmente secas em vários locais. E as trovoadas de aquecimento podem ocorrer essencialmente entre 4 e 10 (principalmente tardes e início das noites).
Primeira quinzena também maioritariamente seca e quente pelos Arquipélagos, com tempo quente na Madeira e temperaturas a subir mais nos Açores também a partir do Quarto Minguante (7).
Na imagem seguinte conseguimos perceber a tendência de tempo mais seco que o normal em todo o país, mas a azul no Continente, temos as possíveis trovoadas anteriormente referidas, sendo que nos Açores os aguaceiros podem ocorrer nalguns dias, apesar de pouco expressivos.
Precipitação Média Acumulada até dia 14 julho 2026 – Média do ECMWF
Em termos de temperaturas, esta primeira quinzena promete ser efetivamente MUITO QUENTE, como se vê na imagem.
Temperaturas para primeira semana da primeira quinzena muito acima do normal (onda de calor que se deve estender até 13)
PREVISÃO DA 2ª QUINZENA DE JULHO
Tudo muito bonito mas… a segunda metade muda um pouco o jogo. A circulação atlântica aparece mais favorecida a norte da Península Ibérica a partir de 14, podendo trazer algumas depressões para as proximidades das Ilhas Britâncias e Golfo da Biscaia. E isso poderá trazer temperaturas bem mais amenas (até com alguns dias mais frescos) com mais vento de norte, algumas frentes com maior afetação ao litoral norte e centro e ainda alguns episódios de trovoadas principalmente a norte e centro (pontualmente, mas muito pontualmente, a sul também). E aqui começa o provérbio escolhido pela MeteoMira… Água de Julho, no rio não faz barulho (não faz crescer rios, mas vai caindo, um pouco mais que o normal para a época).
Apesar disto, obviamente vamos ter ainda dias agradáveis e até calor na 2ª quinzena mas com muito menos preponderância e persistência que na primeira quinzena.
Chamamos a atenção também para uma segunda quinzena de maior precipitação pelas ilhas. O mapa seguinte mostra muito a anomalia positiva de precipitação para grande parte da 2ª metade do mês em todo o país.
Mais chuva que o normal para a 2ª quinzena em todo o país, mas obviamente que o normal de chuva em julho não é muito grande
Em termos de temperaturas, vemos que há uma descida face à primeira quinzena na anomalia de temperatura, mantendo ainda assim, um balanço superior ao normal em todo o país.
Anomalias de temperatura na 2ª quinzena – Semana 20 a 27 julho – descida da anomalia face à primeira
Na prática, o provérbio mensal escolhido “Água de Julho, no rio não faz barulho” reflete a perspetiva de um mês muito quente mas também, possivelmente, mais chuvoso que o normal. Quente pela primeira quinzena e mais chuvoso pela 2ª quinzena. No entanto, mesmo que chova mais que o normal em julho, já vimos que o normal é muito pouco, pelo que não fará a maior parte dos rios correr.
As contas fazem-se no final mas…
Em termos gerais, julho deverá ser quente e mais chuvoso que o normal em vários locais, podendo as trovoadas vir a ser decisivas para as zonas de maior precipitação.
Quente e chuvoso também pelas ilhas e, principalmente na Madeira.
Desejamos que tenha um excelente julho, reforçando que a incerteza associada a uma previsão de médio-longo prazo existe e deverá sempre ser acompanhada conjuntamente com as de curto prazo. Boas férias, se for caso disso!