17 Março 2026 em diante: Descida de Gota Fria gera sistema ciclónico entre os Arquipélagos – Chuva, trovoadas e vento forte e PT Continental – Linhas de instabilidade, aguaceiros fortes e trovoadas: Possível nomeação Samuel
Por certo já leu, seja nas nossas redes sociais, seja noutros locais, que os Arquipélagos terão a influência de uma forte depressão a partir de dia 17. A mesma deve-se ao desprender de uma bolsa de ar frio em altitude (Gota Fria) da circulação mais a norte e formação de um sistema complexo, com cavamento significativo – depressão ou ciclone (nome semelhante).
Na imagem animada vemos essa Gota Fria a desprender-se (a azul) e o sistema depressionário em formação, com as linhas de pressão (isobáricas) bastante próximas em torno das ilhas.

Importa sempre salientar que uma eventual nomeação do sistema SAMUEL será realizada pelo IPMA e será devida principalmente aos fortes ventos que se irão registar sobretudo no Gr. Oriental e ilhas mais orientais do Gr. Central dos Açores e na Madeira.
Neste caso, devido ao posicionamento do anticiclone a oeste dos Açores (zona a vemelho na imagem acima), os ventos mais fortes ficam restritos às zonas de contacto com o anticiclone, ou seja, a oeste e a sul do centro de rotação da depressão (ver zonas a vermelho escuro e lilás (rajadas superiores a 100km/h).
Com isto, obviamente Portugal Continental estará fora de ventos desta intensidade, porque fica no borde leste, o que afasta por completo qualquer relação com o ciclone Kristin.

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Portugal Continental – Instabilidade com aguaceiros e trovoadas ou tudo a cair no mar?
Depressão nas ilhas arrasta, em primeiro lugar, poeiras para o território continental entre 17 e 18 e esse será o primeiro efeito, tal como uma significativa subida das temperaturas a partir de dia 16, fruto do arrastar de uma massa de ar quente do norte de África.
E por Portugal Continental, o vento não será, regra geral, problema.
A depressão apresenta outras características e espoletará linhas de instabilidade, com trovoadas que podem ser fortes, estando indicada a primeira ou as primeiras de sul para norte durante dias 17 e 18, com trovoadas localizadas e em muitos sítios pouca precipitação, mas podendo chover muito mais noutros locais.
Dia 19 pouco nada deve chover e as linhas devem posicionar-se sobretudo ao largo ou sobre o litoral centro-sul e sul, com trovoadas muito relevantes no mar (algumas podendo chegar a terra). Mas atenção que uma pequena oscilação no centro da depressão para leste, levará a que essas trovoadas e chuvas fortes entrem mesmo dia 19 em terra provocando precipitação localmente intensa, com risco de inundação rápida em meio urbano. Se, por outro lado, o centro oscilar para oeste, a chuva cairá toda no mar!
E é aí que os modelos ainda divergem para Portugal Continental! Estamos em crer que a 20 e 21 teremos linhas de instabilidade mais intensas a entrar, mas há o risco natural da chuva ficar toda no mar, caso a depressão se posicione exatamente sobre os Açores.
Caso a precipitação (aguaceiros/granizo) chegue entre 19 e 20, há obviamente outro risco associado a estas depressões, que são as rajadas convectivas (rajadas de vento mais fortes que acompanham os aguaceiros mais intensos), os fenómenos localizados de vento como micro ou downbursts ou mesmo algum ou aguns tornados ou trombas marinhas.
Como existe muita divergência entre modelos deixamos a precipitação média do modelo europeu e um período de um pouco mais de vento (nada de relevante, na 5ª feira).
Na imagem da esquerda vemos bem onde vai chover mais, eventualmente, a amarelo e laranja, zonas onde caso se confirme a entrada da precipitação em terra, podem registar inundações urbanas rápidas.
Acompanhe as imagens de satélite, radar e veja as trovoadas ao vivo clicando no botão:

Agora os Açores – Chuva, aguaceiros, neve e muito vento
Apesar de entre 17 e 19 termos aguaceiros ou períodos de chuva/granizo pelo Arquipélago e que podem até ser de neve a cotas muito generosas no Arquipélago (acima dos 800 a 1000m de altitude), o ar frio e sobretudo o vento forte são a nota dominante.
Primeiro, dia 17, com a intensificação do vento na metade ocidental, de norte, com rajadas até 80 a 90km/h mas será já dia 18 que a metade oriental do Arquipélago terá ventos mais relevantes, igualmente de norte.
Neste dia, esperam-se rajadas máximas em torno dos 110 a 130km/h no Gr. Oriental, mas chamamos sempre a atenção que um pequeno desvio para oeste da depressão poderá levar os ventos para o Gr. Central e um pequeno desvio para leste poderá levar para o mar.
A imagem da esquerda mostra o acumulado de precipitação pelos Açores até dia 19, com maior intensidade e persistência no Gr. Oriental, mas também no Gr. Central.
A imagem da direita mostra o pico de intensidade de vento segundo o modelo ICON pelo Gr. Oriental, com rajadas até aos 110 a 130km/h.

E depois Madeira – muita chuva, aguaceiros e neve e vento forte
Bastante precipitação (chuva/granizo) a partir de dia 17 e, pelo menos, até dia 21 de março no Arquipélago, naquele que será o período mais instável do mês.
A neve, associada a uma forte descida das temperaturas dia 18, também cairá no Arquipélago a cotas muito generosas – acima dos 1300m de altitude.
Mas a preocupação recai sobre o vento. Se em viagem marcada para Madeira entre 17 e 21 deverá repensar essa situação, porque será muito provável o condicionamento do tráfego aéreo.
O vento soprará de uma forma geral forte até dia 18, mas será ao rodar dia 19 para sudoeste que aumentará de forma muito significativa, com rajadas até 100 a 130km/h e podendo nos pontos mais elevados atingir os 150 a 160km/h (imagem de baixo lado direito).
No lado esquerdo temos o acumulado previsto pelo Multimodelo (média de vários dos principais modelos).

Estas depressões são muito complexas mas…
Não é nenhuma Kristin em Portugal Continental! Até pode pouco ou nada fazer se a maior parte da chuva cair no mar…
No entanto, mantemos que entre 19 e 21 poderemos vir a registar linhas de instabilidade em terra, com aguaceiros fortes, risco de inundação rápida em meio urbano e possibilidade de algum fenómeno localizado extremo de vento.
Pelos Arquipélagos sim… será a principal razão que levará possivelmente à nomeação.
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