PREVISÃO MENSAL: “Em Janeiro sobe ao outeiro: se vires verdejar põe-te a chorar e se vires terrear põe-te a cantar”

Este provérbio sobre o primeiro mês do ano de 2022 bem pode ser o mote para o que sobra do Inverno… ou não!

A sabedoria popular que se vai perdendo com mudanças ano após ano, faz-nos desta vez relembrar que os verdes campos em Janeiro podem ser sinal de que o inverno ainda está para entrar, resultando assim em mais um ano complicado para as produções agrícolas.

Neste final de dezembro e início de janeiro tive a oportunidade de ver campos verdejantes pelo Alentejo, resultado das consistentes chuvas de final de Dezembro. A chuva que caiu, sendo em poucos dias, foi ainda assim responsável por fazer subir a média mensal para valores menos terríveis, face a tudo o que tem sido a pouca precipitação em Portugal Continental neste ano hidrológico.

Alertamos para o facto de uma previsão mensal apresentar ELEVADO risco e dever ser considerada apenas como uma possível tendência e interpretação.

Evolução Semanal

SEMANA 1 (3 – 10 Janeiro 2022) – Temperatura acima da média em todo o país e Precipitação abaixo do normal em praticamente todo o território (exceção ao Grupo Oriental dos Açores e possivelmente ao extremo norte continental)

Janeiro entra quente e seco e só a dia 4 inverterá com descida das temperaturas e chuva a chegar a todo o território (mais a noroeste e menos no restante território). Nestes dias (4 a 6) a neve pode aparecer acima dos 900-1000m, em especial no norte de Portugal Continental. Findo este período, noites mais frescas resultado de inversão térmica e dias amenos marcarão o final da primeira semana, sem previsão de chuva a 7 e 8.

Pelos Açores, depois das chuvadas de final e início de Ano, é tempo a partir de dia 4 do Anticiclone voltar para o seu lugar e, com isso, o tempo normalizar pelas ilhas açorianas, apenas com uma frente de fraca a moderada atividade a passar dia 6.

Na Madeira, o ano entrou bem quente para o normal, mas o posicionamento do anticiclone e a incursão de algumas frentes a norte permitirão o regresso da chuva, especialmente ao norte, leste e terras altas, mas aparecendo pontualmente e menos significativamente, nas restantes vertentes.

SEMANA 2 (10 – 17 Janeiro 2022) – Mais fresco na Península Ibérica, normal na Madeira e quente nos Açores, com pouca precipitação em todo o país, face ao normal

A 2ª semana será marcada por um potente anticiclone entre os Açores e a Europa Ocidental, com possível migração até à Escandinávia perto de 13-14, o que poderá trazer geadas intensas ao continente e alguma depressão retrógrada (talvez até alguma situação de neve a cotas baixas para final desta semana, sempre muito localizado e pouco significativo). Esta situação de neve a cotas baixas (podendo ocorrer no Alentejo ou mesmo Algarve) é típica de uma circulação de leste/nordeste e normalmente é antecedida por alguns dias de geada.

Nos Açores e para facilitar a migração do anticiclone, poderá ocorrer entre 13 e 14 a deslocação para nordeste de uma pequena depressão que dará a chuva mais significativa desta semana que se espera mais seca que o normal, retomando o anticiclone posteriormente.

Pela Madeira, a circulação leste/nordeste trará novamente aguaceiros em especial às vertentes leste, norte e terras altas, representando ainda assim pouco face ao normal. Ainda assim, esta circulação permitirá que as temperaturas se apresentam normais ou ligeiramente acima do normal para a época.

SEMANA 3 (17 – 24 Janeiro 2022) – Regressa a chuva a norte continental sobretudo (também a centro), mais seco e quente que o normal nas ilhas. Temperaturas na média na Península Ibérica, com menos chuva que o normal a sul do Tejo

A 3ª semana será marcada por circulação noroeste, com depressões centradas em latitudes muito elevadas, permitindo apenas o ingresso de algumas frentes a norte e centro (podem ser de neve no extremo norte em cotas altas), com reduzida ou praticamente nula afetação a sul do Tejo. O passar da semana e, em especial próximo do Quarto Minguante (25) permitirá que a chuva possa estender-se mais a sul.

Nos Açores e Madeira, tempo mais seco e quente que o normal, não sendo de descurar a passagem de algumas frentes fracas na Madeira e também nos Açores, facilmente degradadas pela forte pressão do Anticiclone Açoriano.

SEMANA 4 (24 – 31 Janeiro 2022) – Os primeiros dias da semana trazem chuva a todo o território continental e que depois se localizam mais a noroeste, até cessar perto do final do mês. Tempo mais seco e quente que o normal nos Açores, Madeira e sul

A 4ª semana começará com chuva em praticamente todo o território continental mas que com o passar dos dias se situará cada vez mais a norte/noroeste, até cessar perto de 29, trazendo novamente subida do anticiclone para final do mês (tempo mais quente que o normal primeiro a sul).

Nos Açores teremos algumas frentes de fraca a moderada atividade mas que não representarão nada de muito significativo.

Na Madeira alguma precipitação nas vertentes norte e terras altas, mas abaixo do que é normal, igualmente com temperaturas acima do normal.

SINAIS PARA A FRENTE

Não são bons os sinais em termos de semanais, prolongando a circulação atlântica para norte, com bloqueio atlântico e pouca chuva para o início de fevereiro.

Daqui resulta o provérbio de Nossa Senhora das Candeias: “Sra. das Candeias a sorrir, está o inverno para vir, Sra. das Candeias a chorar, está o inverno a acabar”. Neste momento os sinais para inícios de fevereiro são igualmente de tempo mais seco que o normal, podendo o dia 2 de fevereiro vir a ser marcado por sol. Estará o inverno mesmo para vir?

É que Janeiro havia começado verdejante nos campos… a resposta poderá estar no Vórtice Polar.

Bastante intenso tem sido este ano hidrológico, com forte vorticidade a latitudes elevadas, tem mantido um anticiclone nas latitudes mais baixas, mas os sucessivos aquecimentos a que tem sido sujeito, podem vir a desencadear uma oscilação na sua posição ou um enfraquecimento (quebra neste momento ainda parece cedo para afirmar), o que facilitaria o ingresso de tempo mais chuvoso e fresco para a frente.

Vamos então tentar acreditar na sabedoria popular e pensar que efetivamente, não sendo ainda em Janeiro que o Inverno se deve manifestar em pleno, tal possa acontecer até finais de Abril!


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