Trovoadas por aquecimento

Trovoadas por aquecimento

Que semelhanças poderão ter com uma frigideira a ferver?

“Falhou a previsão, não houve trovoadas aqui!”, “não contava com trovoadas e hoje elas vieram!”, “estava um lindo dia de sol e quente e agora está tudo nublado e chove, não se entende o tempo!”… trovoadas por aquecimento diurno, uma situação de muito difícil previsão…mas, de uma forma simplista (como sempre, não falo de forma muito científica), o que são?

Pois bem, estamos na cozinha a preparar o almoço…entretanto vamos à casa de banho e deixamos a frigideira ao lume.

Quando voltamos, ela está em brasa e não sabendo como a arrefecer, pegamos num copo de água e começamos a despejar lentamente na frigideira! Atenção, como sabem, nunca façam isto!

O que acontece é que a água fresca que pode ser comparada com o ar frio e húmido em altura de um determinado local interage com o calor da frigideira.

No momento em que deitamos um pouco de água fria na frigideira a ferver (nem é preciso ferver, basta haver uma diferença significativa de temperaturas), dá-se uma reação de libertação de energia e mesmo na nossa cozinha vemos a formação de “nebulosidade/fumo”. Isso não é mais que a semelhança do desenvolvimento dos cúmulos.

Frigideira na qual se colocou água fria

Essas trovoadas não são mais que a convecção que é criada com o resfriar súbito da frigideira a escaldar.

Assim, o CAPE que aqui falo (índice de convecção) não é mais que um índice que mede o potencial de formação destas nuvens com base numa fórmula matemática que tem em conta, entre outros fatores, o gradiente térmico entre a superfície e os níveis seguintes em altitude da atmosfera.

O CAPE é medido em J (Joules)/kg e representa de uma forma simples, a libertação da energia da nossa frigideira pelo súbito arrefecimento da mesma, com aquecimento dos níveis mais altos (o tal fumo ou cúmulos).

Agora, o problema da maior parte dos modelos é que apresenta uma resolução gráfica de muitos km’s e por isso mesmo é impossível dizer concretamente onde se vai formar a trovoada, uma vez que localmente existem n fatores que têm de ser analisados!

Uma coisa muito simples para se perceber é mesmo se num dia de primavera ou outono o tempo aquecer anormalmente num local…se durante as manhãs o dia já parecer muito quente, isso tenderá mais dia menos dia ao gradiente térmico e à formação de convecção!

Quanto mais frio estiver o dia menos provável é o desenvolvimento de trovoadas, mas mesmo assim podem ocorrer, se lá em cima estiver ainda mais frio que o que seria expectável.

Exemplo de formação de cúmulo

A formação de trovoadas depende de n fatores e índices.

Olhar aos vários níveis da atmosfera é essencial para perceber se existe potencial para esta troca térmica se dar, perceber se há humidade é também essencial, existem fatores que inibem as trovoadas e obviamente precisar áreas prováveis é uma tarefa muito complexa!

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