Atlântico ainda sem furacões?! Hum…
Certamente já reparou que ainda não ouviu falar em furacões no Atlântico este ano e a época já vai a mais de meio! Na prática, estamos perante um El Niño muito forte, o que equivale a dizer que as águas no Pacífico Leste Equatorial estão com temperaturas muito superiores ao normal.
Onde fica o Pacífico Leste Equatorial e o que provoca isso no Trópico de Caranguejo?
A imagem seguinte mostra graficamente o que é o El Niño forte, pela anomalia de temperatura da água do mar, com a indicação do El Niño na zona a vermelho (águas mais quentes).

Esta temperatura elevada da água do mar aumenta a evaporação e favorece o desenvolvimento de ciclones tropicais no Pacífico. Para terem uma ideia, já evoluiram 17 sistemas tropicais, dos quais 2 de categoria máxima e 2 de categoria 4 (imediatamente abaixo).
Em contraciclo, o Atlântico está amorfo e no Trópico de Caranguejo a situação é irreconhecível! Isso acontece porque o El Niño, por forma da ondulação das correntes de vento (jetstream) aumenta o cisalhamento, que é o gradiente de ventos em altitude. Este aumento não permite aos ciclones tropicais a calmaria necessária para se intensificarem, dissipando muitas vezes sem nomeação ou em categorias baixas.
Tivémos até 18 de setembro apenas 5 nomeações e nenhum furacão, o que está próximo de ser um recorde desde que há registos.


De que forma isto influência o tempo em Portugal?
Os ciclones tropicais são nesta fase do ano, ou seja, na transição verão-outono, elementos chave para o desbloqueio de padrões de verão e transição mais acelerada para o outono, mexendo com as correntes de vento e ondulando mais o jet. Isto provoca instabilidade no Anticiclone e permite as primeiras incursões atlânticas no nosso país.
Sem estes elementos, o anticiclone não precisa de ter muito trabalho… ele está lá para não deixar passar ciclones, mas se de baixo e do lado não vem nada (ou muito pouco) e só se preocupa com o que passa a norte dele… tudo tranquilo, tudo favorável e ele continua ad-eternum no seu cantinho, permitindo geralmente mais estabilidade e um verão a caminhar pelo início do outono.
E isto nunca terá fim?
Não há nada que nunca acabe em meteorologia! Seja pelos furacões seja por outros fatores (como bolsas de ar frio em altitude ou vórtice polar), é natural que o anticiclone acabe por sofrer abanões e se mexa do seu cantinho.
Mas os sinais para outubro são de diminuição do cisalhamento (gradiente de ventos em altitude) na zona subtropical e tropical, aumentando a probabilidade de desenvolvimento de ciclones tropicais no Atlântico e mexendo mais com as peças da atmosfera.
Essa diminuição do cisalhamento está representada na imagem pelas cores azuis!

E como sabemos, outubro é mês em que os ciclones tropicais costumam curvar mais para a Europa devido ao seu transporte pela corrente de ventos do Atlântico Norte, mais intensa já nesta altura do ano.
Isso significa que podemos ter a visita destes ciclones tropicais nos próximos meses?
Isto significa apenas que, caso se formem, em outubro e mesmo novembro é natural que curvem mais frequentemente para a Europa e nós estamos na porta de entrada sudoeste, pelo que, é natural que possamos ter essa possibilidade… mas sempre mais favorável a acontecer nos Açores.
Significa também que, se se começarem a formar, a probabilidade do tempo mudar para chuvoso, é muito mais elevada.
Quer colocar a sua empresa nas bocas do mundo chegando diariamente a milhares de pessoas? Saiba como enviando um email para meteomira.rm@gmail.com





Deixe um comentário